Sou parasita e me apego em ilusões bonitas transmitidas pelo hospedeiro. Enxergo além dos segredos nos lábios, degusto palavras e cuspo frivolidades - é triste dizer que sigo faminta há tempos. Não há nada além de almas que me transbordaram em passatempos ideais, esquecendo a efemeridade de cada gesto. Sinto sede de realidade, é a verdade. Quero recordar os desenhos na terra, o riso na chuva e a dança guiada pela embriaguez. Já se passou muito tempo e nada me transborda, porque nada realmente me toca. Talvez eu seja um Estado recém independente, que não consegue caminhar com as próprias pernas, ao mesmo tempo em que nega auxílio. Isso de política externa nunca foi o meu forte, o que me atrai é o interno que perdi entre alamedas e promessas vazias. Sou inconstante e já discordo do meu estado de ser parasita, quem perde um pedaço sou eu, quem se rasga e lamenta, sou eu. Egoísta que sou, tenho fraco por abismos e me atiro em qualquer frase de céu azul. 

[B., entre todas as pessoas perdidas, nunca conquistei independência de você.]

G.

(Fuente: ceciliando)