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" Sou triste quando não está e as estrelas notam entristecidas a ausência de constelações nos olhos. Não há compreensão que me prive da insensatez que é enxergar teu rosto no reflexo do espelho, e o faço sorrir entre traquinagens e escovas de dentes para quem sabe sentir meu afago aí do outro lado. Não me importa a lucidez quando teus olhos estão cravados nos meus. Eu só te olho e sei, sei que tua carne termina onde começa a minha e que tuas respostas vem das perguntas que ainda não fiz. Nossa ligação vai muito além das rodovias que planejo percorrer com a mão na tua nuca os lábios no teu ombro. Tuas pegadas são tudo o que procuro para manter o equilíbrio e me perco nesses caminhos parecidos quando não está. Essas ideias dolorosas me pegam pelo pescoço e sufocam até não haver mais discernimento entre aquilo que é e os pesadelos que me rondam todas as noites. Então você vem e me nina quando a falta causa desmaio. Pode ser alucinação, mas sinto teu peito de encontro ao meu rosto e quase me afogo no pranto porque tenho certeza de que contorna meu rosto com o olhar de quem procura flores na neve. Porque tu me salva mas não tem poder de extinguir a melancolia que minha alma guarda. Nós somos entrelaçados pela ternura, uma coisa só cortada no meio. Eu roubei as partes tristes porque ver a dor estampada nos teus olhos me doem mais do que senti-la eu mesma. Nos foi dada a espera como prova do afeto que cuspimos em cada parágrafo para o amor não rasgar nossas entranhas por falta de espaço de expansão. Mas sou criatura de natureza afobada que quer empurrar o tempo até que as mãos esbarrem na tua camisa xadrez. Eu quero ver as estrelas quando ainda é meio-dia. Teu nome está escrito atrás de cada palavra e meu corpo busca saciar a fome da tua pele em todas as cartas escritas. Já são incontáveis os parágrafos perdidos no piso. Eu quero escrever nas tuas costas os poemas que correm pelas veias quando você me toma. Sente a ternura que a saliva deixa no rastro da língua pela tua pele. Absorve o suor que se mescla com o teu e nem sentes. Vou tatuar na tua pele as insanidades que me transborda quando fecho os olhos e vejo seu rosto me chamar em silêncio. Me pega pelos dedos, pelos braços, faz-me tua por inteiro porque as palavras já te reconheceram como parte de mim perdida em outro corpo. Esqueça todo o tempo perdido atrás dessas paredes e escancara a porta que te espero no portão. O despertador tocou. Amanheceu já faz tempo e quero perder-me com você entre os ponteiros do relógio. Os desejos latejam na parte que não suporta mais esperar para se tornar inteira.
Somos um só, meu amor.
E não existe nada além de nós. "

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Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.