Ceciliando

"A vida não passa de meros momentos em espasmos irreais."
Gabriela Santarosa. 20. Minas Gerais.

Você tem a poesia nos olhos crus, nus, que percorrem cada curva e marca na pele como se fosse poesia, e talvez seja. O corpo sente tanto quanto os olhos e se entrega com a facilidade de um roteiro hollywoodiano barato. Qualquer toque um arrepio, transeunte que se rasga por promessas que os olhos leem contraditórios. Separo músculos e membros pois é como se cada parte da anatomia tivesse uma instrução básica para além dos desejos. A retina é um pedaço da alma, ser manipulável, ainda que superficialmente. O que dizes não é necessariamente aquilo que sente, o que quer está estampado no castanho mas você fecha as pálpebras, teimosa que é, ciente de todos os pesadelos escondidos desde o último semestre. 

Você tenta inutilmente não ser tocada mas as digitais já estão nas entranhas, seus olhos dizem não enquanto os lábios tremulam inseguros. A contradição reside não no mundo, mas nas cicatrizes que te amedrontam. B., você já se feriu com palavras belas e encontrou refúgio na violência, assim como virou as costas para a poesia enquanto os olhos pediam colo. Houveram feridas irremediáveis que cicatrizaram e ainda doem vezenquando, assim como te alivia, pois viver sem marcas é o mesmo que não tê-lo feito e você sabe o valor de cada lágrima. Além de todo o ceticismo, é preciso aceitar a tristeza como forma, não um molde para si, mas para os passos futuros. Você tem a poesia talhada na marca de nascença, no ato de se propor a enxergar além do visível e nos caminhos que não fez. Sua vida é um teatro e cada ação é feita como se fosse o ato final. B., você é poesia boêmia. 

G.


Anónimo murmured: Indica filmes, Mais filmes FODAS (desculpa o palavrão) aqueles de personagens cativantes, que te surpreende ?? Obrigada

Histórias Cruzadas, Amor e Inocência, O Menino do Pijama Listrado, Django Libre, Inimigos Públicos, My Fair Lady. Por nada. ^^